quarta-feira, 10 de setembro de 2014
Café Orquídea II
sábado, 6 de setembro de 2014
Café Orquídea I
terça-feira, 26 de agosto de 2014
Até Breve
Era de manhã, quando o sol com todo o seu esplendor, espreitou pelos cortinados do quarto. Aos pés da cama dormia, como era hábito, a roupa suja do dia anterior e o Kalu, aquele gato malhado, dorminhoco mas saudável que fazia da roupa a sua cama. Abriu os seus olhos verdes universo e num bocejo matinal, ao mesmo tempo que se espreguiçava, caminhava lentamente até as almofadas, onde o rosto do dono espreitava. Miando exigia o seu pequeno-almoço e depois de muitas voltas da cama lá o tirou da cama. O pequeno-almoço agora era apenas uma questão de tempo até estar servido. Depois do banho matinal, do primeiro cigarro e do primeiro café, ele saiu de casa como era hábito, mas hoje não iria trabalhar, apenas ia passear um pouco. Uma curta viagem até ao quiosque para comparar um maço de tabaco novo e o jornal com as notícias de ontem, como de costume ao sábado de manhã. Enquanto caminhava, sentiu a sua visão turva e então tirando os óculos e de uma maneira descontraída, como sempre, limpou quase sem jeito nenhum, no seu cascol enquanto continuava a andar. De repente, quase sem saber de onde, um encontrão. Uma pancada seca que o acordo como se de um terramoto se falasse, com o impacto os seus óculos caíram e sem se perceber ainda não tinha pedido desculpa quando instintivamente se baixou para apanhar os óculos. Nisto sentiu, sentiu-o nas mãos, aquilo que ele definiria por um beijo de uma nuvem, o toque suave de uma jovem senhora e com uma voz doce ouviu “peço desculpa, deixe estar que eu apanho os seus óculos”. Petrificado e sem saber como, começou a transpirar de frio e lentamente se erguendo, chorava por dentro por não conseguir ver o rosto de quem lhe limpava os óculos. Sentiu, mais uma vez, uma nuvem tocar lhe nas mãos mas desta vez com os seus preciosos únicos óculos nas mãos “aqui tem, mais uma vez peço desculpa” e sem receio essa mão o largou deixando apenas com alguns segundos de margem de manobra para rapidamente meter os óculos ao sitio para ver quem se afastava, e finalmente, com os óculos sobre o seu nariz olhou mas já era tarde demais. A nuvem tinha dissipado. Encontrava se sozinho, na mesma esquina antes de chegar ao quiosque, onde uns instantes antes sentiu um abalo tão grande que o acordou para a vida. Olhou em sua volta mas como iria ele reconhece-la? Em desespero olhou para o chão e não quis acreditar no que lá aos seus pés estava estendido e abandonado. Uma simples carta, um envelope aberto. Será que terá uma morada? Um nome? Ou talvez um número de telefone, nem que não seja alguma coisa, tem que ter informação preciosa para a encontrar. Bem, o jornal de ontem já não faz falta, há algo novo que tem de ser noticiado e é preciso procurá-lo, pensou ele. Apanhou o envelope e olhou para o seu interior e lá estava uma pequena carta. Retirando-a o seu coração começou a bater mais forte, será que vai dizer algo? Abriu-a e sim tinha algo escrito. Começou a ler aquele pequeno texto e subitamente, entre um sorriso e uma pequena lágrima, voltou a dobrar a carta e guardou-a seguindo um novo caminho, um caminho com um sonho. O seu caminho, levou-o até ao parque da cidade, onde esteve sentado durante horas a olhar para as árvores, a fumar os seus cigarros apreciando os cisnes no lago logo ao lado, belas criaturas. Ao longe ele observava as crianças a brincar no parque infantil e os seus progenitores que punham a conversa em dia, quer sobre o futebol, quer sobre as fraldas que estavam em promoção no mercado do fundo da rua. Seguiu caminhada, desta vez ate ao centro de dia da cidade e lá, foi visitar o seu avô que só tinha hábito de visitar ao domingo, mas hoje, era tudo diferente, era tudo novo a seus olhos. Depois de umas boas cartadas e de umas boas risotas olhou para o relógio e já era quase de noite, essa noite que ameaçava ser fria, e ele ficou inquieto quando deu por ela, acelerou o passou com um sonho nas mãos. Avenida fora, ouviu as músicas da lojas e sem parar foi até a ponte centenária. O seu coração palpitava e não parava quieto e de repente, quando estava a por o primeiro pé na ponte, o seu coração parou por um micro-segundo que parecia eterno. No centro da ponte, por cima daquelas águas calmas, estavam uma jovem, linda como um raio de sol e o vento beijava suavemente o seu cabelo. Aproximou-se, mas sem saber o que fazer, em silêncio, chegou se cada vez mais perto, tirou o envelope do bolso e com calma mas nervoso foi se aproximando cada vez mais. De repente, ela olhou para ele, e ele sentiu o que era ficar de frente com a mitológica Medusa, com os olhos tão penetrantes e belos, onde a íris era verde como a copa de uma árvore na primavera e um leve toque de castanho fazia o desenho de um tronco. Ela olhou para ele e pelo meio do seu cabelo dourado ela olhou discretamente para a mão dele e disse sorrindo “vejo que encontrou a minha carta”, ainda sem saber o que dizer ele apenas esticou a mão com a carta, hipnotizado com o olhar dela. Ela esticou a sua mão e mais uma vez, ele sentiu uma nuvem a pousar lhe nas mãos e sem saber de onde, sem que ninguém o soubesse prever, ela o beijou nos lábios. Planetas alinharam-se na sua mente, céus abriram se num clarão de sonho, e todo tipo de cores surgiu numa visão de universo e galáxias, “que o tempo pare, que o tempo pare” era a única coisa que ele pensava, mas o tempo não pára e aquele simples segundo, terminou. Ela afastou-se dele e disse-lhe “até breve” e virando-lhe as costas, sumiu no meio do nevoeiro que se tinha levantado. Assim ele ficou, sozinho, numa ponte centenária, onde a chuva começava a querer banhar mais o seu rosto que as suas lágrimas, onde o frio climático tomava conta do seu coração, apenas ele e uma carta na mão. O que dizia a carta? A carta dizia:
domingo, 20 de março de 2011
Conta-me uma história - |V
quinta-feira, 10 de março de 2011
Conta-me uma história - |||
Andaram durante pouco mais de uma hora. Caminharam pelas ruas, pelas flores que as floristas estavam a vender logo pela manhã, pelos aromas que aquelas esplanadas traziam, umas a tabaco, outras ao café após almoço e em algumas ainda o almoço na mesa estava. Afonso não largava a mão dela como ela não largava o braço dele… Ao longe faziam confusão a algumas pessoas, mas eles não queriam saber, o mundo era deles, o pequeno mundo que se estava a criar. O prédio do Afonso era no centro da cidade, numa zona bastante calma, apenas com alguns vizinhos que já se lamentavam não ter mais gatos para alimentar e que apenas queriam contar histórias aos seus netos. Quando se abriu a porta da casa dele, ela tremeu pela segunda vez desde de que se viram pela primeira vez, automaticamente, Afonso pergunta-lhe baixinho, como se não quisesse acordar ninguém, “Estas bem?” ao que ela só acenou que sim. Encaminhou-a para a sala e disse-lhe para esperar ali pois ele ia preparar a casa de banho para ela para ela tomar um duche e que já voltava. Tranquilamente ele aproximou-se dela e beijou-a na testa ao que ela suspirou e depois de sorrir deixou-a na sala.
A sala dele era bastante simples: alguns livros nas estantes, onde se lia livros de poesias, de prosas, de arte e um de desporto. Na prateleira debaixo tinha alguns cd’s, vinis e até uns dvd’s. No centro da sala, uma mesa de luz deixava mostrar o mais recente desenho dele: Uma mulher abraçada a um lobo. Ela de olhos fechados e o lobo sério olhava para quem estava a ver a pintura, fazendo com que ela se sentisse com receio de olhar para a mulher. Quando se encostou ao sofá, sentiu algo a mexer-se debaixo do cobertor que lá estava. Assustou-se e com o susto saltou um gato debaixo do cobertor deixando-a colada ao chão. Com o grito dela, Afonso veio a correr e vendo o que se estava a passar, começou a rir-se como um perdido. Ela corada disse lhe em tom de ordem “Onde esta a piada?!” Contendo-se para não rir, embora um sorriso tivesse surgido, disse-lhe “É apenas o meu gato” dizendo isto dirigiu-se ao gato, pegando nele acrescentou, “É a minha única companhia nesta casa”. É aqui que ela olha para o Afonso pela primeira vez com olhos de admiração e se apercebe o quanto lindo era a flor da idade daquele rapaz que ali estava. Voltou a olhar em volta e apercebeu-se de uma guitarra e até de um violino, e vendo aquilo, perguntou “Sabes tocar violino?”. A reacção dele foi de espanto, quase como ele já nem se lembra-se que tinha lá aquele instrumento. Respondeu em tom de tristeza ou até de lembrança “Isso tinha significado a um tempo atrás… agora já não faz sentido” e logo depois olhou para ela “Bem, tens a casa de banho toda para ti, esta a tua vontade”.
Deitada na banheira, enquanto o incenso lhe percorria os pulmões, ela fechou os olhos e sonhou. Sonhou com os dias de criança em que brincava com a sua irmã as escondidas e que ela era sempre apanhada “Apanhei-te Clara! Agora és tu!”. Clara, nome escolhido pela mãe e concordado pela madrinha. A mãe como grande devota a Francisco de Assis, quis dar o nome a uma das filhas como era o nome da companheira deste santo e do mesmo modo a madrinha se lembrava da parábola do lobo. Durante o sonho, ela esta no quarto e começa a ouvir um violino. A melodia era tão linda que fez com que a Lua sorri-se no meio da noite e que as árvores dançassem, e de repente, num sobressalto, ela acorda numa banheira, onde o incenso já não tinha mais por onde arder e apercebeu-se que o violino não era um sonho, mas sim o Afonso a tocar. Saiu da casa de banho assim como o mundo a viu nascer e ali estava ele: no meio da sala de costas voltadas para ela com o violino nas mãos. Nas suas costas estava tatuada uma pena envolta em chamas e o cabelo dele estava solto. Devagar, ela aproximou-se dele, encostou-se a ele, ao que ele responde, “Estas bem? Precisas de alguma coisa?” Ao que ela fechando os olhos lhe disse “Sim, preciso de ti” No escuro, beijaram-se e mesmo ali no sofá se deitaram até o nascer da manhã seguinte.
sábado, 5 de março de 2011
Conta-me uma história - ||
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Conta-me uma história
Fazia aquela viagem todos os dias, sempre a mesma hora e por vezes sempre com as mesmas pessoas. Afonso, tinha sair do Porto para viajar até Braga para puder ir trabalhar e grande parte das vezes viajava de olhos fechados, numa tentativa de descansar. Nesse dia, mesmo que quisesse, não ia conseguir dormir no comboio. Num dos apeadeiros entrou uma mulher que apenas a sua presença inquietou muita gente naquela carruagem: com uns sapatos, onde um deles não tinha atacadores, as meias rasgadas na zona do joelho mas mal se via devido ao vestido que trazia, bem, vestido esse que teria visto melhores dias pois vinha bastante desgastado. Por cima do vestido, era apenas uma blusa, mas essa sim, linda toda ela trabalhada em pormenores nas mangas, golas e até os botões. O lenço que trazia, não lhe aquecia muito, tal como o gorro e as luvas. De cabeça tombada a olhar para o chão ela mal que entra encosta-se no canto da carruagem e lá fica de pé. Ele não deixa de conseguir de olhar para ela e reparar em todos estes pormenores, tal como não consegue deixar de reparar outros passageiros e nas atitudes tomadas com a entrada da sem abrigo: o senhor sentado no banco do lado direito pegou na mal que tinha no chão e num gesto de desculpa pegou nela, colocou ao lado dele e de lá tirou o jornal, fingindo que lia e deixando esse lugar ocupado com a sua bagagem; a mulher em frente dele, pegou no casaco e cobriu o lugar também; uma jovem, provavelmente da mesma idade da saem abrigo, colocou os auriculares e os óculos de sol e fingiu não a ter visto a entrar e o namorado, bem, esse fechou os olhos e fingiu um cansaço de modo a deitar se e ocupando dois lugares. Afonso não conseguiu de deixar de reparar nesses pequenos movimentos e começou a sentir-se péssimo. Mal que arrancou o comboio, o revisor surge pelas costas de Afonso e vai picar o cartão de uma senhora. É aqui que ele se lembra de tomar atitude: Levantou-se e dirigiu-se para junto da sem abrigo. Ela sentiu a sua presença e começou a tremer como se estivesse a prever algum discurso, mas ele apenas lhe disse: "quer se sentar ao meu lado?" Naquele momento, a rapariga deixou de respirar e olhou para ele: Afonso sorria com uma ar tão feliz e simpático como sempre era costume dele e ela, com os lindos olhos azuis quase em lágrima responde "muito obrigado senhor". Muito lentamente ela caminhou, sempre de cabeça baixa até ao lugar que Afonso lhe indicara, sentou-se e logo depois foi ele ao lado dela. Enchendo os pulmões com coragem ele pergunta ao ouvido dela em jeito de segredo "Não fales, abana só com a cabeça. Tens dinheiro para a viagem?", e ela dá uma resposta negativa, algo que Afonso já estaria a contar. O revisor chega ao pé deles e reparando nela, diz "Bom dia Senhor, o seu bilhete?" "Aqui esta... e já agora queria comprar outro para a minha amiga". Algo inesperado acontece, todas as pessoas olham para esta cena inclusive a sem abrigo ao que o revisor responde "Jovem, o preço no comboio é o dobro que nas estações..." " sim eu sei, não me importo". O bilhete é tirado e a rapariga guardou-o junto ao peito durante mais de meia hora e chorava, Afonso não tinha coragem de lhe perguntar se estaria bem ou não. O comboio chegou a Braga onde ela é a última a sair do comboio, e no momento em que sai do comboio, ainda de cabeça baixa, ouve a voz do Afonso "Não te esqueças de levantar a cabeça. És linda demais para ser só o chão a ver o teu rosto." Ela vira as costas e lã estava ele a sorrir para ela. Em lágrimas ela corre junto dele e abraça-o dizendo "obrigado pelo que fez por mim. O meu nome é Joana e tenho de lhe agradecer por isto tudo." "Não precisas de agradecer, apenas te quero pedir um favor" Ela sorriu pela primeira vez em toda a viagem "peça tudo, eu farei isso" Afonso olhou para ela, tornou-se muito serio e de repente disse lhe nos olhos com apenas um sorriso "vem tomar o pequeno-almoço comigo e conta-me a tua historia". Juntos no café mais próximo da estação falaram durante horas...
Texto escrito para o blog Fábrica de Letras
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
A Orquestra
Aquele bairro, sempre foi monótono, calmo e acima de tudo sincero em cheiros: a vizinha do terceiro andar tinha sempre aquelas rosas que faziam lembrar a vinda das andorinhas na primavera, ou então o vizinho do primeiro, que ao fim de semana porque lá tinha os pais a visitá-lo fazia sempre umas sardinhadas que lembrava os santos populares. A padaria da frente sempre logo de manhã a dar-nos os que de melhor a terra nos podia dar: o maravilhoso cheiro a pão quente, que só de o cheirar dava vontade de ver a manteiga a derreter e de sentir ele a estalar mal que o tentasse abrir. O carrinho da peixeira que com o seu sorriso enchia a barriga dos gatos e com o seu diz que não disse enchia os mexericos das freguesas, há muito pouco falavam elas do peixe fresco dessa manhã, dava a sensação que o pescador vinha com o barco atrás da velhota. Simplesmente sentia-se o cheiro de todo o bairro na minha janela, e eu só partilhava o cheiro do tabaco já vencido pela chama. Porém, esta noite tive um sonho estranho, e acordei a meio dele para escrever algo, mas pouco mais me saia da cabeça os cheiros daquele bairro… eu não entendia o que se passava, até que pela frustração peguei na minha guitarra, acompanhante de tantas viagens, e para a varanda fui dar um suave toque de guitarra… Foi aí que eu percebi o que me perturbava o sono… O som da minha guitarra acompanhava o contra-baixo do padeiro que porque esperava que o pão estivesse a cozer, tirou uns minutos para treinar, nós os dois, acompanhamos a flauta do primeiro que não praticava durante o dia pois chateava o vizinho do quinto que é segurança nocturno. O piano da vizinha das rosas estava simplesmente lindo a acompanhar o violino do marido da peixeira, que esta noite estava com as castanhas na brasa. No meio da noite tínhamos a mais bela sinfonia.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
"Uma Longa Viagem..."
sábado, 22 de maio de 2010
Um episódio meu
terça-feira, 4 de maio de 2010
A primeira e última carta
terça-feira, 2 de março de 2010
Carta para a minha filha
Naquela bela praia, ela esperava-o, como uma pobre que espera o regresso do marido que foi a conquista dos mares, e no meio do nada, surge ele.
Um beijo na face, com um abraço, foi o suficiente para ele entender que algo não estava certo.
Num acto de arrogância e medo, procurou por algum sinal do namorado dela, não fosse ela ter ficado a mesma pessoa, mas ela respondeu: "Estou só, não está cá ninguém." Sentaram-se no areal e ela chorou, e ele não percebeu a origem dessas lágrimas, é então que ela responde a pergunta mental dele:
"Estive grávida e tive de abortar." Ele ficou pálido e frio, sem saber em que pensar ou no que dizer, mas ela disse logo de seguida:"Por favor, escreve um texto em memória da minha criança."
Ele olhou-lhe nos olhos, olhou o oceano, mas que lindo dia e que calmo oceano, e depois fechou os olhos e beijou-a. Logo após, sem uma palavra, nem sim nem não ele foi se embora. Foram noites de tortura, de ódio e de choro, "aquela criança podia ser minha! Se fosse comigo não abortava!" Chegou mesmo a pensar: " Se ela me tivesse contado, eu tinha assumido a criança como minha!"
Ao fim de várias noites em branco, decidiu sentar-se num parque onde estava só, quando viu surgir do nada, uma criança. Uma bela menina que brincava sozinha e puxando pela coragem falou-lhe e perguntou:" Olá linda. Como te chamas?" Ela respondeu: "Lara, Lara Isabel" "E porque brincas sozinha?" Ao que ela respondeu: "Não tenho pais nem irmãos. Mas sou feliz." E sorriu. Ele sentido, perguntou se podia brincar com ela ao que ela respondeu com um sorriso ainda maior "Sim!"
Nessa noite ele escreveu a seguinte carta:
"Antes de mais, parabéns por teres existido. Criança que nasce é criança que sonha, e com o sonho somos imortais. Bastou-te sonhar uma vez e jamais morrerás. Infelizmente deixas-te nos cedo, e infelizmente não te vimos sorrir, mas sabemos que foste feliz.
Hoje vi uma criança que de certeza serias mais bela que ela minha filha: bela, educada e sorridente. Certamente foste mais inteligente que nós todos juntos, pois soubeste respirar nas trevas que envolviam mas isso não te impediu de existires.
Escrevo-te esta carta, para que saibas que não foste esquecida, para que saibas que foste amada por mim, pela tua mãe, para que saibas que nunca morrerás.
Adoramos-te filha"
Enviou esta carta para a sua ex-namorada ao que não obteve resposta até ao dia de hoje, mas ele, assumiu a paternidade da pequena Lara Isabel e hoje, são uma família feliz.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Nevoeiro de Natal
O jantar na mesa, nunca a mesa estivera tão rica como naquela noite, uma noite tal igual a tantas, mas naquela noite havia algo diferente, algo que apenas se repete uma vez por ano e é de dia.
A familia juntou-se toda outra vez, todos aquecidos pela lareira, chamas vivas que aqueceram o corpo e a alma de todos... Ou será melhor dizer, quase todos. Sebastião não era amante da época natalícia, desprezava-a de uma maneira fria, mais fria que a noite que se fazia a porta de casa. Não tinha um amor a época do amor e naquela noite, apenas foi para respeito da avó que se encontrava acamada. O pensamento dele era simples: Já perdi uma avó, não quero perder a outra também. E enquanto todos se reuniam na sala, junto da lareira, da televisão e até junto do cão, ele estava no quarto com a avó, que lhe contava outra vez a história do carvão que se oferecia naquelas alturas. "Era a melhor prenda, sempre dava para aquecer a noite" dizia ela sempre a sorrir. Na verdade ela só sorria na presença dele, pois todos diziam o mesmo "Está sempre triste", "Nunca quer nada e para comer é preciso obriga-la".
Sebastião era uma espécie de esperança para a avó dele. Ela olhava para ele não como um neto, ou afilhado, mas sim como um anjo ou outra coisa parecida enviada por esse ser divino superior a que ela chamava Deus, para lhe alegrar aquela noite que devia de ser de alegria. Mas aquela noite prometia ser diferente, havia algo novo nela, algo que até a altura nunca tinha acontecido. O jovem neto, no fim da bela história sorriu e disse :"Avó, esta na hora de irmos. Temos de ir". A avó não entendera a perguntou, "Ir onde filho? É noite de Natal, é aqui que devemos estar". Sebastião respondeu-lhe: "Não é aqui, alguém nos espera. Vamos". Levantando-se, pegou na sua avó, cobriu-a e levou-a na sua cadeira de rodas. Abriu a porta de serviço e saíram.
Era meia-noite quando vieram chama-los ao quarto mas ninguem estava lá. Nem Sebastião nem avó, nem ninguém. Apenas uma carta que tinha uma pena em cima. A carta tinha sido escrita com essa mesma pena e dizia:
Querida Familia
A avó está comigo, partimos esta noite para o nevoeiro que se ergueu. Quando for altura oportuna regressaremos.
Não vos preocupeis, esta era a prenda de Natal que há muito prometi a avó, voltar a ver o avô.
Obrigado a todos.
Sebastião
Quando leram a carta não quiseram acreditar. É então que entra o pai de Sebastião na sala com uma noticia triste:
-O Sebastião morreu a uma hora no hospital de cancro no estômago.
-Não é possível! Então quem jantou cá?
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Encontro o desejo
podia ela estar comprometida ou não, sempre na sua presença
ela tinha de tocar aquele corpo que fora dela, que ela já tinha possuído no
passado."
Naquele noite, onde nunca se vira tantas estrelas como naquela linda noite, ela conheceu-o. O homem que lhe iria pertencer, o homem com que ela sonhara todas aquelas noites, todas aquelas noites de loucura e paixão. Só faltava que ele a deseja-se tanto como ela a ele. Ele aceitou bem os lindos olhos verdes e juntos dançaram aquela linda melodia que não se pode dançar sozinho... Só não chovia.
Ela abraçou-o e sentiu logo o calor do desejo dele a entrar no seu virgem corpo. Com este sentimento, ela decidiu, hoje seria a noite em que se entregaria pela primeira vez a loucura.
Procurava ela, há mesa, onde todos os amigos jantavam, todos sorriam mas ela não o via. Quando o viu, sorriu de felicidade e com esperança que ele olha-se ficou a vê-lo. De repente ele olha para ela, mas ela é surpreendida por um olhar gelado, frio de vida... Não havia sonhos no olhar, não havia estrelas, não havia alma. Será que tinha acabado? Será que ela desistirá? Enquanto ela se questiona, ele levanta-se da mesa e segundos depois ela faz o mesmo. Há quem lhe pergunte onde ia ao que ela simplesmente responde "vou apanhar um pouco de ar", como se desse mesmo para apanhar essa coisa que nos da vida... Na noite, ela o viu, banhado em lágrimas e ela sem saber o que fazer, foi correndo ao encontro dele e o abraçou, começando também a chorar. O abraço dele foi tão forte que ela não resistiu e teve de o beijar por que senão
o desejo dela o faria por ela. Ela passou a mão pelo cabelo enquanto o beijava no pescoço ao que ele deixou um leve suspiro beijando a no pescoço e sem ela dar conta, ele deitou a junto aquele banco, ali mesmo no relvado, apenas a noite seria testemunha e cúmplice de tal desejo. Só não chovia.
Ele sentiu os mamilos dela com a mão enquanto a beijava, ao que ela correspondeu sentindo o pénis com a mão dela... Ainda vestidos já loucos se encontravam. No instante seguinte ela despiu-lhe a camisola deixando o pobre rapaz ao frio daquela noite, mas ele estava quente de desejo e loucura e deixará ela no mesmo estado, nua de roupa e de sentimentos. Já sentindo os lábios grossos molhados com os dedos, ele penetrou trazendo lhe a ela o sentimento de lágrimas e felicidade.
Só não chovia.
Mas de repente ele parou, pediu para ela se vestir. Fora as primeiras palavras que eles trocaram desde do momento em que se viram pela primeira vez. Ela não entendeu, mas simplesmente obedeceu e vestiu se. Houve um momento em que ela se distraiu... apenas um momento... e quando voltou a olhar, ele já tinha desaparecido deixando a praticamente mais virgem do que ela já estava antes. Ela procurou-o, mas não sabia o nome dele para o chamar, naquela noite só não chovia, mas ela encharcada em lágrimas já estava.
Cinco primaveras passaram e ela sempre nunca desistiu de o procurar. Entrava nas cidades, perguntara se alguém o tinha visto, mas já se habituara a que lhe dissessem que não sabiam a quem se referia. Tinha acabado de chegar a uma cidade, cidade igual a tantas outras por onde já tinha passado, mas esta ia se tornar diferente. Voltara a encontrar o homem que desapareceu naquela linda noite. Lá estava ele sentado num banco: idêntico ao que tinham possuído a cinco anos atrás, e de olhos postos na mesma cúmplice.
Ela sentou-se a beira dele e sentiu de imediato tudo de novo, uma vontade de o abraçar. Ele rompeu o silencio dizendo "Eu reconheço-te. Desculpa, mas naquela noite eu era comprometido."
Ela não hesitou e desejou-o tão loucamente como na primeira vez.
Desta vez fizeram amor;
Desta vez ela sentirá a loucura do primeiro amor;
Desta vez, chovia.

